Os Desalmados
Os Desalmados
O Diário Insular publicou um artigo esta semana sobre uma situação no lugar do Raminho aqui na ilha apontando para uma falta de democracia impressionante. Nem parece que estamos na Europa, mas sim entre “hicks” ou “rednecks,” ou KKK dos Estados Unidos ou no meio da África ou do Amazonas, entre as sociedades mais primitivas que ainda existam. Trata-se da reacção de alguns populares para com um habitante, por acaso um continental, que vive no seu meio e que recentemente publicamente expôs a sua indignação para com o estado dos caminhos no tal lugar. Referia-se ao costume dos lavradores de conduzirem o seu gado, nas centenas de cabeças pela rua principal, muitas vezes com uma só pessoa a dirigir o percurso todo. Aliás, isto é uma prática em quase toda a ilha, quando muitas vezes centenas de cabeças de gado bloqueiam as vias públicas, sendo dirigidas quantas vezes por algum miúdo atrapalhado que se vê azul para controlar o gado entre condutores impulsivos e malcriados. Todos nós que aqui vivemos somos testemunhas de tais cenários.
Nesse seu depoimento publico, o tal continental mencionava também a praga das ratazanas que atravessam os caminhos quais coelhos a qualquer hora do dia ou da noite. Por ter expresso a sua opinião publicamente, é agora vítima de atitudes que fazem lembrar os “pogroms” na Alemanha por Neonazis, uma justiça da noite desprezível. Pela calada da noite ou quem sabe mesmo até de dia cobrem-lhe o carro com “posta de vaca,” colocam ratazanas sobre o pára-brisas, encravam-no nos limpa pingas e fazem represálias, numa macacada tudo menos cívica, mas sim própria de uma cultura galhofeira, destituída de consciência humana, sem alma e sem vergonha. Com um sentido de humor embriagado à SS da Alemanha do tempo do NAZISMO, evidenciam uma sociedade de cariz violente, sem consciência e sentido de probidade Esta não é não uma sociedade ocidental moderna, cristã ou humana mas sim uma própria mais dos homens das cavernas ou da idade da pedra.
Enquanto as nações do centro da Europa se corrigiram através de guerras e conflitos constantes, abençoados pelo isolamento do Oceano Atlântico, temos uma sociedade incorrigivelmente imutável, burra. Afastados do centro da Europa desenvolvemos uma sociedade incapaz de aprender a corrigir-se e a dar-se a mão à palmatória. Quanto mais os municípios embelezam e europeízam a ilha, mais atitudes como estas ressaltam à vista. Que as touradas tivessem triplicado, não é de admirar. Não é de admirar às buscas às bruxas e os bodes expiatórios. Esta sociedade tem sede e fome de arenas, de sangue, de vítimas. Na brincadeira são capazes das maiores crueldades. Habituados a entreter a malta, a fazer coisas para fazer rir os outros, são capazes de acções sem consciência ou integridade alguma à “Big Dan,” como é o caso da situação do Raminho. Lideram um Fascismo de rua impressionante. Praticando atitudes de acelerados, ladrões, facínoras e patifes. Gozam com a dignidade dos outros, intimidam, aterrorizam, divertem-se de uma forma safada, destituída de civismo e de inteligência.
Como podem ambicionar turismo para esta ilha se tais atitudes e falta de civismo estão à flor da pele?
Neste ambiente, ninguém se atreve fugir ao consenso comum. De grande associativismo e bairrismo ai de quem fuja à norma. Foi assim que o holocausto Judeu na Alemanha se tornou possível. A cobardia geral sustenta o espírito criminoso e maldoso dos poucos que vingam a sua vontade reles. Um belo galinheiro cheio de galos e galinhas de Barcelos, quem ousa pensar, vestir, actuar e ser diferente torna-se motivo da fúria ou ostracismo tribal.
Infelizmente tem-se nos Açores uma cultura de elevado grau de inveja, dor de cotovelo, de raiva e despeito. Ninguém se atreve a ter uma opinião própria. Obedece-se à vontade e capricho do grupo. Por isso não se vai em frente. Todos temem a crítica, o despeito e a zombaria do próximo. Temos em fim uma sociedade boba, palhaça, pierrô, arlequim, hienas esfomeadas, prontas para aguçar os seus dentes na carne dos outros. No fim sacrificam a democracia. Não há democracia onde não há tolerância, nem livre direito de expressão.
Nesta ilha de Jesus Cristo, quantas atitudes anti-Cristo se presencia a todo o instante! As pessoas aqui protegem-se nunca sendo espontâneas ou sinceras, guardando-se discretamente da opinião pública. Raramente expressam o que sentem na verdade. São cautelosos uns com os outros. Medem bem o que dizem ou o que não dizem. Como se estivessem a andar sobre ovos podres são extremamente reticentes. Tentam a todo o momento estarem do lado bom do grupo, cedem a sua vontade à vontade desse grupo, vivem, trabalham, respiram em sua função. Dentro do grupo estão protegidos pelo grupo. Afinal são comportamentos conhecidos entre gangs de “teenagers” ou bandos. No bando suspendse a responsabilidade pessoal, sacrifica-se a própria individualidade e intelecto em prol de uma mentalidade de grupo, de comparsas, de parceiros, de cúmplices.
Temos uma cidadania daqueles que cegamente obedecem ao bando, que são capazes das piores atrocidades, da falta de solidariedade humana que trocaram por uma solidariedade da droga, do cabaré, da tasca, da canalhice. Não foi isso mesmo que aconteceu na Alemanha NAZI?
Numa relação de medo, cautelosos, tenta-se cair nas graças do grupo, dos mais fortes, dos mais divertidos, mais dotados ou mais bravos. Aqui é-se escravo do companheirismo, do bairrismo, do chauvinismo nas suas formas mais primitivas. Ser alguém diferente de opinião, estar e pensar diferente torna-se logo alvo da reinação, de crítica mesquinha, selvagem, corrosiva. No Raminho é exactamente isso que está a acontecer.
Para fazer mal quantos recorrem mesmo ao feitiço de feiticeiros e feiticeiras? Espalham pós, fazem-se amarrações, compram-se mezinhas, solicitam-se rezas especiais que visam destruir, derrotar e desgraçar o próximo. São os vizinhos e as vizinhas de mau-olhado e aqueles que a meio da noite vão colocar pozinhos e mesinhas à porta dos outros. É o voodoo, é a praga, é a justiça da noite; é o vandalismo o divertimento porco; gente sem sentido de justiça nenhuma, à KKK, à Talibã, à terrorista.
Ao ler tal episódio desagradável, notar deve-se a coragem do Diário Insular que leal aos valores da democracia e da decência humana atreve-se apontar e contestar tais atitudes. Estou certo que como eu, muitos dos leitores ficaram deveras mal impressionados com o cenário das represálias da populaça no Raminho. Infelizmente tais atitudes não são não exclusivas desse lugar, mas premeiam esta nossa sociedade impregnada por um Fascismo popular, com todos os exageros do seu bairrismo ou do raciocínio da gente da Idade da Pedra, ou das cadeias onde os melhores são os piores, e quem mais medo mete, mais súbitos, mais amizades porcas ganha. São os malvados, os desalmados, os espanhóis os espanholitos, pois gente portuguesa não são.
Silvério Gabriel de Melo

0 Comments:
Post a Comment
<< Home