Sunday, December 31, 2006

Um Reino de Sorrisos

Se os olhos são as janelas da alma
Os sorrisos as suas varandas são
Sorri quem o próximo como a si mesmo ama
Sorri quem tem o Sol no coração.

O bom sorriso como a luz do Sol aquece
Nos protege e ilumina com o seu ardor
Quem assim sorri espalha o bem, oferece
Aos outros toda a amizade e seu amor.

Sorrisos há que fazem lembrar jardins
De malmequeres e de gerânios às janelas
Sorrisos há que nos guiam, serafins
Sorrisos que têm o fulgor das estrelas.

Qualquer sorriso é do sol um pedaço
Reflectido sobre as ondas do mar
É reflexo meigo, reflexo mágico
Milhares de sóis em mares de luz a flutuar.

Sorrisos ternos quão finos, quão distintos
Suaves como a luz da madrugada
Delicados, bonitos, abrem caminhos
Nos iluminam, deixam-nos a alma maravilhada.

Se só a criatura humana tem lágrimas para chorar
Se só a alma humana acredita num Porvir
Ó Mãe da Humanidade a quem eu aprendi a rezar
Com teu Cristo ao colo ensina-nos a sorrir.

SGDM

Os bebés são conhecidos por lindos sorrisos quando dormem, que o povoatribui à sedução da lua que se lhes aproxima em sonhos e as maravilham. Sãoreflexos que imitam sorrisos tão doces e emblemáticos que parecem advir deuma realidade etérea a que os bebés se ligam por afinidades de naturezaprópria. Lembro-me quando os meus filhos dormiam em seus berços e sorriam,pareciam em comunicação com alguma realidade fantástica que me emocionava sóem os observar.

Hoje em dia os meus filhos cresceram; um deles patrulha as avenidas deBagdah. O mundo todo parece ter vestido farda e falta-lhe aquele sorrisodevido à humanidade. Rodeados de fisionomias quer de ódio, rancor, medo,pavor, ou apenas falta de segurança ou de saúde, quem é que se pode dar aoluxo de sorrir?

Gostaria até de entreter um mundo à José Saramago, onde em vez de ficaremtodos cegos como no seu Tratado da Cegueira, ficariam antes todos a sorrircom aquela doçura que conhecemos nos infantes.

Seria uma realidade fantástica, um mundo inocente e verdadeiramente puro.Assim sorrindo, reflectiríamos aquele Sol distante e divino em que devíamosacreditar com toda o ser e alma. Esse sorriso, se possível, iriadesconsertar o mundo roubar-lhe o sobrolho franzido, tomar o lugar dossorrisos de lesmas sobre os lábios daqueles que tudo medem, e julgam tudosaber. Imaginem só, se o mundo pudesse assim sorrir!?Esse sorriso, qual Sol distante e supremo, impor-se-ia às trevas e à lamadas mil e uma "Kristal Nachts" e holocaustos da falta de humanidade.Sorrisos dos sorrisos entre nós existiria a perfeita liberdade e democracia.Apoiados na inocência e graça desses sorrisos, ali não pertenceriam aquelesque de princípio não se consentissem a esse sorriso, a essa realidade. É queesse Reino dos Sorrisos, como o Reino dos Céus, não se fecha, fecharia paraninguém. Isso é, nesse Reino dos Sorrisos não entraria só quem o nãodesejasse.
Quando os senhores padres, ministros, pastores e outros senhores dotriângulo do Religiosamente Correcto, filistinamente citam a Cristo ou aBíblia para negar a entrada no Reino dos Céus das "abominações", aberraçõeshumanas quer originais ou adquiridas por vícios ou convicções de vida, soueu que franzo o sobrolho.


Que tipo de Cristandade é essa que já julga o próximo? Eu julgava que sócabia a Cristo, que está sentado à direita do Pai, o julgar quem quer quefosse? Se o reino dos Céus é como esse Reino dos Sorrisos que acima mereferi, sorrir-se-ia com a mesma graça e humanidade até para a pessoa maisnojenta e desagradável, essa a norma das normas. Porquê fechar as portas doReino para quem seja, se até Cristo o prometeu ao ladrão crucificado à suadireita?

Se há a ignorância, a cultura da pornografia do erotismo, da concupiscência,da perversão, da pedofilia e indecência, tem que haver a fraqueza, o vício eo abuso. Isso é que se terá que corrigir e erradicar para que não hajam osfracos, os que molestam, os que se confudem, que seguem os maus caminhos.Negar entrada ao Reino dos Céus ou desprezar os que erram, os pedófilos,homosexuais, tarados, viciados, efeminados, pervertidos, é o mesmo quevoltar ao universo dos que acreditam que os judeus, os sarracenos, osnegros, os bastardos, os ricos, os pagãos nunca poderão entrar nos Reinodos Céus.

Se o pecado, essas características abomináveis existem é porque fazem parteda natureza humana. Acusar e barrar entrada aqueles cujas naturezas criadaspelo próprio Deus os fez quem são é uma falta de humanidade tão vil como opôr fim a vida aos leprosos, doentes mentais, incapacitados, aos enfermos emoribundos, é uma forma de nazismo subversivo à dignidade eterna do homem.A caridade de Deus abrange todos, até ao ser mais contemptível, esses que omundo rapidamente marginaliza e rodeia de estigma.

Quem cita, pois, a Bíblia para fazer vingar a sua razão, fá-lo muitasvezes assim como os paparazzi manejam uma câmara de filmar. Só apontam parao que lhes convém.
Não foi Cristo também, que disse logo a seguir à sua afirmação o ser maisfácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha a um rico entrar no Reinodos Céus, àqueles que perguntavam, "Então senhor, quem se salvará?" e Elerespondeu, "O que é impossível para o homem, é possível para Deus." (S.Lucas18)


Como o meter-se uma bola numa baliza, só deixar entrar quem for chutado como pé direito, ou que exclama cada dois minutos um ³Aleluia,² seria idiotice.Graças a Deus, o Reino dos Céus não é controlado pelos SS, como era oAuschwitz ou por nenhum chefe de equipa de desporto, nem de Igreja alguma.Lá, nesse Reino, estou certo. entrarão as Madalenas e os Madalenos, atéassassinos, até pedófilos. Quem somos nós humanos para julgar quem for?Como bom Pai, Deus abre os braços para todos igualmente. Para ele tudo épossível. Ele é que criou o homem e só ele o conhece na intimidade.Estou certo que esse Deus, ao contrário dos homens dos dias de hoje queinterpretam qualquer sorriso, amabilidade ou delicadeza como os jovens dosliceus e soldados na tropa como ³gay,² abrenúncio, aberração, não afastaninguém, nem aproxima ninguém por mera piedade e misericórdia. Fá-lo como asi mesmo; ama-os igual senão mais ainda, porque afastados do Caminho, (ouque ele já criou afastados do normal ou da norma) vivem contudo uma missãoigual a qualquer outra criatura e que também por eles e até por eles é queveio ao mundo.

Quem passa as rasteiras, impõe normas de pudor e de aceitação como se oReino dos Céus fosse um clube, ou uma associação futebolística são oshomens. Só não entra no Reino dos Céus aqueles que julgam que o têmgarantido porque não pecaram, não se permitiram ao erro; porque o quiseramcomprar ou vendê-lo como Judas. De anjos está o inferno cheio.Enfim, se voltarmos ao Reino dos Sorrisos, se fossemos capazes de sorrir daforma inocente, livre, cheia de graça das crianças, não enxergaríamos tantonojo, nem estranharíamos quem quer que fosse pela invulgaridade das suasnaturezas. Sorriríamos realmente para todos acusação, diversão, preconceito, sim, um sorriso inocente como são ossorrisos das almas puras, dos bebés.
Quem se digna fechar a porta aos Reino dos Céus contra este ou aquele dosseus irmãos, por mais podre de ricos, de eróticos, de maricas, já pecou,pois olha para o mundo e o seu próximo com os olhos prevaricadores dacultura que ensina a dar mais valor aos valores do erotismo, davirilidade ou potência ou preponderância da carne. Num mundo de sorrisos nãoimporta se já se foi carranca. O que importa é sorrir e nem todoscompreendem isso.


O espírito humano por sua conta, sem a verdadeira presença de Deus,dispõe-se à carranca da intolerância e do preconceito onde quer que a almaou corpo sejam fracos. Como um vírus do demónio, tornam-se leprosos eabomináveis aqueles que não compreendemos, que tenham valores diferentes dosnossos, que sejam vítimas do mundo e das circunstâncias que os trouxeram àluz. Por isso Cristo fez-nos querer amar não só ao próximo, mas também aoinimigo e esse inimigo precisamente aquele por quem realmente sentimos omaior repúdio, os celerados, os pedófilos, os gente da Alcaida, os talibãs,os efeminados, os homossexuais, as lésbicas, os intoxicados, os caídos porterra, a escumalha da terra. Tempo virá quem nem se ser velho se consentirásem o mesmo menosprezo e revolta que se dedicou a leproso, judeu ou a negro;ou hoje se dedica aos sem abrigo, aos "gays" aos morrendo de AIDS ou aosárabes....Numa base na Alemanha numa creche militar foi presenciada a seguinte cena;uma funcionária da creche, esposa de um militar de cargo alto passou por umbébé de raça africana, de feições que Deus lhe deu, julgando-se a sós, fezao jeito de mimo anglo-saxónico, louro e de olho azul, o seguinte comentárioem voz alta, "Tu pareces-te um macaco!" Quem observou a cena foi uma outrafuncionária de cargo mais baixo de raça africana. Ela não apresentou queixa.
Por isso enquanto houver no mundo gente, por mais bem conceituada que setenha que se atreva a comentários de "cima para baixo" nós todos comohumanidade pecamos. Pois humanos são todos os que até se parecem como osmacacos e entre eles os leprosos, os que morrem de AIDS, os ou as que vãopara a cama com outros homens ou outras mulheres."


Toda a pessoa humana na pessoa de Cristo único e verdadeiro pastor tem o seuvalor e o seu direito ao Reino dos Céus se a isso aprender a querer e a sedispor. Por isso, depois de ler um artigo sobre a incapacidade dos pioresdos pecadores, tais como pedófilos, celerados, efeminados, homossexuais, etc.de poderem entrar no Reino dos Céus, reajo e apresento queixa.

Não nos esqueçamos que Deus não obedece aos critérios dos homens,especialmente aos homens de uma cultura ou era obcecada pelo erotismo, osexo ou contra-sexo, que isso tudo não passa de palha que se deve dar decomer aos burros.

Numa espiga de trigo vale o grão e mais nada. Que haja um pouco de chuva e muito Sol é o que ele precisa. Deixemo-nos de ruminar na palha e dar a cada grão a luz, o sorriso devido para que cresça e se faça pão. Para overdadeiro cristão isso é que vale. Por isso o verdadeiro Cristão não se alarma quando a própria Igreja parece estar também cheia de palha. De palha foram consumidos muitos santos e santas, quando nas fogueiras os torturaram. Dê-se portanto a Deus o que é de Deus, o grão; aos burros o que é dos burros, a palha, é o que se deve fazer com todo o coração. Saibamos antes sorrir como as crianças, o menino sobre a palha deitado e não julgar e acusar mas simplesmente viver e deixar viver.

É que Deus deixou um mandamento novo, "Amai-vos uns aos outros." Aqueles que afastam e desviam o próximo e o despreza por esta ou aquela razão,qualquer que seja, é que já perdeu o seu lugar nesse mesmo Reino, pois esse não se fecha para ninguém que o procure, mas sim para quem o quer interdir ao seu próximo.

Silvério Gabriel de Melo
Terceira, Açores



Cagarros (Cory's Shearwater Birds)

This is the time of the year when "Cagarros," (Cory Shearwater Birds)marine Azorean/Atlantic birds of the Albatross family come inland to brood.They spend most of their time out in the open sea, fishing at night all yearlong. They live up to forty years of age. Every year from February toNovember they return to the islands where they were born to nest in the manycliffs and crags that first saw them or even in holes they make on theground. In May the female Shearwater lays her only egg. Both she and themale sit alternately on it for about fifty days. When the fledgling is bornit is nurtured by both parents during the period of three months until it istime to return to the ocean and there stay until is time for brooding again.Nocturnal birds, they have been living around this area for about fiftymillion years, almost as long as the Atlantic Ocean itself. If you are outnight and you hear a crying above you in the dark, it¹s them in theirflight. They are blinded and thrown off course by the presence of light, sothat if you make a bonfire by the beach, before you know it, they will beflying above you one after another making a noise as if someone saying, "Icannot, cannot, cannot!" Azoreans say that their sounds remind one of thePortuguese word for water, "Água" repeated as if by someone desperate for water.

"Cagarros" is also what Azoreans teasingly call the people of Santa Maria,the first island of the Azores to be discovered. The reason is the singsongintonation of the way they speak. It sounds like the sound those birds makein the middle of the night, so they were named accordingly.This time of the year, when the "Cagarros," become more noticeable at night,when they come and go on their food getting trips to and from the ocean, isalso invade the harvest time in the Azores.

Indeed, the Azoreans were self-sufficient, they grew everything they needed.Today, one sees mostly cattle and pasture, but at one time, all of theAzores islands were rich in grains as well as a variety of other crops thatmade them self sufficient.

It was this wealth that made the Azores a granary of the Age of Discoveryand Expansion. As the Portuguese set off to discover the new world, theywould invariably stop here to replenish with wheat and fresh water.The area where the Lajes airfield and airport are located today, forexample, was called "Ramo Grande," and that area happened to be one of themost fertile cereal regions of the island. The wheat grown here wastransported to Angra and kept in huge underground silos found where now isthe "Alto das Covas," at the top of the Main street in Angra. The reasonthat the wheat was stored in these underground silos or "Covas," literally pits or holes, was to protect it from pirates who often attacked the island in search of food.

This time of the year, was also grape harvest time. Today you hear ofBiscoitos and Porto Martins as areas where grapes are grown, but at one time everyone grew what they needed, so that most everyone kept a patch of landby the seashore, the "Fajãs", or land on steep slopes by the seashore,reserved for the family¹s vineyard.

At this time of the year, they would throng to the ocean side, where manyeven kept small cottages and wine cellars provided with wine presses, winecaskets and other wine making utensils. There they would spend a few daysuntil the harvest (vindima) was done; the grapes had been sorted and crushedto make wine.

This was the time of the year, then, that the islanders bonded with theocean, prepared their wine and celebrated. Bonfire get-togethers were very common. The more people came down to celebrate, the more would stay aroundto help with the harvest.

People who owned a wine press or a wine cellar would allow others to usethem for their own pressing of the grapes and preparation of wine. Winepressing took on many forms. Those settlers, who came from NorthernPortugal where it was common to press the grapes by stepping on them,continued that tradition to this day. Others, probably, the more moneyed,had wine presses.

The most famous of the Azorean wines are definitely the Pico Island wines.As with the Madeira wine, it found its way outside the archipelago to honorthe tables of the Russian Czars themselves. More widespread were red tablewines or home made wines, or "Vinho de Cheiro" .

Today, when we are surprised by how much people of Terceira celebrate, wetend to forget that all these celebrations stem from the very humble ruralor agricultural traditions of this island. Grounded on a farming, rural,unindustrialized existence, every celebration is a manifestation ofharvest time, a time to bind, to come together, to share the bounty of theland, as any normal country folk do.

Silvério Gabriel de Melo
Juncal, Terceira