Monday, May 05, 2008

Os Desalmados

Os Desalmados

O Diário Insular publicou um artigo esta semana sobre uma situação no lugar do Raminho aqui na ilha apontando para uma falta de democracia impressionante. Nem parece que estamos na Europa, mas sim entre “hicks” ou “rednecks,” ou KKK dos Estados Unidos ou no meio da África ou do Amazonas, entre as sociedades mais primitivas que ainda existam. Trata-se da reacção de alguns populares para com um habitante, por acaso um continental, que vive no seu meio e que recentemente publicamente expôs a sua indignação para com o estado dos caminhos no tal lugar. Referia-se ao costume dos lavradores de conduzirem o seu gado, nas centenas de cabeças pela rua principal, muitas vezes com uma só pessoa a dirigir o percurso todo. Aliás, isto é uma prática em quase toda a ilha, quando muitas vezes centenas de cabeças de gado bloqueiam as vias públicas, sendo dirigidas quantas vezes por algum miúdo atrapalhado que se vê azul para controlar o gado entre condutores impulsivos e malcriados. Todos nós que aqui vivemos somos testemunhas de tais cenários.

Nesse seu depoimento publico, o tal continental mencionava também a praga das ratazanas que atravessam os caminhos quais coelhos a qualquer hora do dia ou da noite. Por ter expresso a sua opinião publicamente, é agora vítima de atitudes que fazem lembrar os “pogroms” na Alemanha por Neonazis, uma justiça da noite desprezível. Pela calada da noite ou quem sabe mesmo até de dia cobrem-lhe o carro com “posta de vaca,” colocam ratazanas sobre o pára-brisas, encravam-no nos limpa pingas e fazem represálias, numa macacada tudo menos cívica, mas sim própria de uma cultura galhofeira, destituída de consciência humana, sem alma e sem vergonha. Com um sentido de humor embriagado à SS da Alemanha do tempo do NAZISMO, evidenciam uma sociedade de cariz violente, sem consciência e sentido de probidade Esta não é não uma sociedade ocidental moderna, cristã ou humana mas sim uma própria mais dos homens das cavernas ou da idade da pedra.


Enquanto as nações do centro da Europa se corrigiram através de guerras e conflitos constantes, abençoados pelo isolamento do Oceano Atlântico, temos uma sociedade incorrigivelmente imutável, burra. Afastados do centro da Europa desenvolvemos uma sociedade incapaz de aprender a corrigir-se e a dar-se a mão à palmatória. Quanto mais os municípios embelezam e europeízam a ilha, mais atitudes como estas ressaltam à vista. Que as touradas tivessem triplicado, não é de admirar. Não é de admirar às buscas às bruxas e os bodes expiatórios. Esta sociedade tem sede e fome de arenas, de sangue, de vítimas. Na brincadeira são capazes das maiores crueldades. Habituados a entreter a malta, a fazer coisas para fazer rir os outros, são capazes de acções sem consciência ou integridade alguma à “Big Dan,” como é o caso da situação do Raminho. Lideram um Fascismo de rua impressionante. Praticando atitudes de acelerados, ladrões, facínoras e patifes. Gozam com a dignidade dos outros, intimidam, aterrorizam, divertem-se de uma forma safada, destituída de civismo e de inteligência.

Como podem ambicionar turismo para esta ilha se tais atitudes e falta de civismo estão à flor da pele?

Neste ambiente, ninguém se atreve fugir ao consenso comum. De grande associativismo e bairrismo ai de quem fuja à norma. Foi assim que o holocausto Judeu na Alemanha se tornou possível. A cobardia geral sustenta o espírito criminoso e maldoso dos poucos que vingam a sua vontade reles. Um belo galinheiro cheio de galos e galinhas de Barcelos, quem ousa pensar, vestir, actuar e ser diferente torna-se motivo da fúria ou ostracismo tribal.

Infelizmente tem-se nos Açores uma cultura de elevado grau de inveja, dor de cotovelo, de raiva e despeito. Ninguém se atreve a ter uma opinião própria. Obedece-se à vontade e capricho do grupo. Por isso não se vai em frente. Todos temem a crítica, o despeito e a zombaria do próximo. Temos em fim uma sociedade boba, palhaça, pierrô, arlequim, hienas esfomeadas, prontas para aguçar os seus dentes na carne dos outros. No fim sacrificam a democracia. Não há democracia onde não há tolerância, nem livre direito de expressão.

Nesta ilha de Jesus Cristo, quantas atitudes anti-Cristo se presencia a todo o instante! As pessoas aqui protegem-se nunca sendo espontâneas ou sinceras, guardando-se discretamente da opinião pública. Raramente expressam o que sentem na verdade. São cautelosos uns com os outros. Medem bem o que dizem ou o que não dizem. Como se estivessem a andar sobre ovos podres são extremamente reticentes. Tentam a todo o momento estarem do lado bom do grupo, cedem a sua vontade à vontade desse grupo, vivem, trabalham, respiram em sua função. Dentro do grupo estão protegidos pelo grupo. Afinal são comportamentos conhecidos entre gangs de “teenagers” ou bandos. No bando suspendse a responsabilidade pessoal, sacrifica-se a própria individualidade e intelecto em prol de uma mentalidade de grupo, de comparsas, de parceiros, de cúmplices.

Temos uma cidadania daqueles que cegamente obedecem ao bando, que são capazes das piores atrocidades, da falta de solidariedade humana que trocaram por uma solidariedade da droga, do cabaré, da tasca, da canalhice. Não foi isso mesmo que aconteceu na Alemanha NAZI?

Numa relação de medo, cautelosos, tenta-se cair nas graças do grupo, dos mais fortes, dos mais divertidos, mais dotados ou mais bravos. Aqui é-se escravo do companheirismo, do bairrismo, do chauvinismo nas suas formas mais primitivas. Ser alguém diferente de opinião, estar e pensar diferente torna-se logo alvo da reinação, de crítica mesquinha, selvagem, corrosiva. No Raminho é exactamente isso que está a acontecer.

Para fazer mal quantos recorrem mesmo ao feitiço de feiticeiros e feiticeiras? Espalham pós, fazem-se amarrações, compram-se mezinhas, solicitam-se rezas especiais que visam destruir, derrotar e desgraçar o próximo. São os vizinhos e as vizinhas de mau-olhado e aqueles que a meio da noite vão colocar pozinhos e mesinhas à porta dos outros. É o voodoo, é a praga, é a justiça da noite; é o vandalismo o divertimento porco; gente sem sentido de justiça nenhuma, à KKK, à Talibã, à terrorista.

Ao ler tal episódio desagradável, notar deve-se a coragem do Diário Insular que leal aos valores da democracia e da decência humana atreve-se apontar e contestar tais atitudes. Estou certo que como eu, muitos dos leitores ficaram deveras mal impressionados com o cenário das represálias da populaça no Raminho. Infelizmente tais atitudes não são não exclusivas desse lugar, mas premeiam esta nossa sociedade impregnada por um Fascismo popular, com todos os exageros do seu bairrismo ou do raciocínio da gente da Idade da Pedra, ou das cadeias onde os melhores são os piores, e quem mais medo mete, mais súbitos, mais amizades porcas ganha. São os malvados, os desalmados, os espanhóis os espanholitos, pois gente portuguesa não são.

Silvério Gabriel de Melo

Monday, February 19, 2007

Terrra de Falta de Justica

Há uma passagem na vida de Jesus Cristo que eu questionava como poder ser possível de um Deus de piedade para todos os seres vivos, mesmo os mais imundos. Trata-se do seu expelir os demónios dos corpos de um possesso e os ordenar para os corpos de uma vara de porcos que por ali havia, os quais de uma forma selvagem se despenharam indo encontrar a sua morte.

Hoje, depois de observar e analizar a humanidade chego ao ponto em que me pergunto, o que será mais cruel, será o induzir os espíritos de demónios para uma vara de porcos e aí fazer com que se despenham para a sua morte, ou será antes o expelir os espírito dos porcos e os lançar nos corpos e mentes dos homens e mulheres dos nossos dias? Induzidos por muita imundice, trufas de devaneios e de vaidades, temos sim uma sociedade emporcalhada por drogas, maus hábitos e costumes, intoxicada pela ganância de ter, parecer, mostrar; por invejas, injustiças, soberbas; entre outros males e vícios da modernidade.

Ouve-se por exemplo nestas nossas ilhas ‘’paraísos,’’ de atrocidades e de falta de justiça alarmantes que todos cochicham e ninguém ousa falar alto, paralizados pelo medo de represálias de macumba e diabos a quatro. Como numa realidade de penitenciária à Alcatrás, há uma forma de solidariedade da maldicência, da provocação, da inveja, do despeito e da falta de respeito.

Que há um ambiente de muitos sorrisos e de alegria doentia, de certo, mas nem todo o sorriso ou alegria pode ser puro ou franco; muito se pode esconder no sorriso ou na festa. Há sorrisos, especialmente às portas das tascas e tavernas da nossa terra, de baratas brancas, de espiritos mesquinhos, embriagados, nauseabundos para quem toda a porcaria tem uma imensa graça e vale quem mais porco e imundo fôr.

Ouve-se por exemplo de casos de fogo posto como se fala de tremoço ou de alguma tourada de touro ou de um capinha mais afoite e ardem propriedades e há gente que sofre, há vítimas, há mortos até e escombros, e a polícia não topa por nada; nada quer ver, ouvir ou dizer--passa adiante. Podia mencionar casos, mas torna-se perigoso. Vivemos numa sociedade de medo; do não te atrevas a saber ou a fazer saber o que está a acontecer.

Depois há aquela de alguém que se aproveita da morte de uma outra pessoa para condoer as pessoas e as fazer participar numa doação que se estende quase pela ilha toda em nome da família do falecido; sem essa família ter conhecimento. De porta em porta colectou uma bela quantia que depois meteu no bolso.

Em nome da caridade rouba-se, prega-se calote, sem caridade difama-se, ri-se, emporcalha-se a sociedade com lama de toda a qualidade desde abusos, violência doméstica, moléstias e perversão de toda a qualidade possível; exagêros que nem parecem reais, mas sim de um reino de porcos e cães à solta entre gente humana.

Pensarão muitos que isso é de certo uma forma exagerada de se apresentar as coisas, mas gota a gota elas vão acontencendo ente risinhos e festas.

A semana passada por exemplo uma pessoa nossa conhecida com um negócio que comprou há dois anos a pessoas pouco honestas, que teve que pagar por contas que não se fazia e julgava tudo pago e resolvido, por isso tinha contratado um advogado, quando sem mais ter sem não, sem aviso, telefonema, ou conhecimento algum do que se estava a passar foi vítima de uma cilada das mais traiçoeiras. Assim a semana passada de surpresa aparece-lhe à porta uma equipa formada de polícia, advogados, gente de tribunal prontos para lhe limpar o negócio e o mandar para a Conchinchina.

O homem surpreendido por essa táctica fascista, comunista, chamem-lhe o que quizerem, mas de certo de país da república das bananas, caiu não chão espumando e retorcendo-se com princípio de acident vascular. Vem a ambulância, os ânimos das ‘’autoridades’’ armadas em caninos justiceiros, passaram de brutais e impiedosos a cobardemente delicados e gentis para com os familiares; e daí partirem de caudas entre as pernas, sabendo no intímo de uma injustiça cívica de bradar aos céus, de uma forma de agir que só nos Açores e em Portugal pode acontecer.

Ninguém pensou em avisar ou preparar o homem e a família para o que se estava a passar. O próprio advogado usou de falsidade. Pago pela tal companhia permitiu este desenlace desumano e nogento. Houve simplesmente uma traição a um cidadão, que lavrador que era investiu tudo o que tinha numa companhia falida e com grandes dívidas que ele julgava já saldadas. Ninguém, por solidariedade ou mesmo professionalismo jurídico o informou, ou mandou qualquer aviso que fosse. De uma forma ingénua, à acoriana, daqueles Açorianos que ainda existem por aí, ele culpa-se de ter investido na companhia, que deveria ter continuado com a sua lavoura e não ter caído na ambição de querer melhor ou ir mais alto. Irra, é isso mesmo que amarra a gente da nossa terra neste país que se não ajuda a si próprio, nem consente ninguém ter uma ambição normal e melhor; que logo passam a rasteira e encontram toda a qualidade da lei mais torta que conseguem tirar dos fundos dos seus portefólios do inferno para ‘’lixar’’ o próximo ou fazer vingar eternamente a injustiça nesta terra onde a justiça é torta e retorta a valer.

Amanhã já toda a ilha sabe, e ninguém se demonstra ou acusa a falta de lealdade, o regime de pugnação, do poder aplicado ao soco e pontapé, ainda que só a olho vidrado e palavreado seco e mordaz e de muita falta de humanidade e Cristandade. Os jornais continuarão a fazer tudo luzir e sobressair enquanto a sociedade se afunda nesta profunda jagunçada. É de bradar aos céus e de ferver o sangue!

Ninguém por exemplo move um dedo pelos drogados que vendem droga e fazem um negocião ou o malandro que arrisca a saúde pública. Ninguém investiga a origem do dinheiro de muitos novos ricos, que parece que vivem por cima de uma mina de dinheiro que esbanjam a torto e a direito. Sugam antes o sangue daqueles que julgam poder sugar sem represália, como as hienas e abutres. Depois há o medo, a manha, a falsidade neste país de brandos costumes ou de relances eunucos para quem a vaidade, o luxo e o devaneio, a associação ao belo e bom e forte mais contam; que tentam seduzir e submeter com a sua graça e artimanha do gênero exclusivo; que por isso mesmo estão na cauda do escorpião mais miserável da Europa; de uma Europa que sabe que em Portugal se escondem bácoros.

Depois, ganhou o aborto. Para dizer a verdade para usar da crueldade que se vive nesta sociedade do belo, fino e finório, até podemos aplaudir esse passo que levará a nossa raça a desaparecer em pouco mais de um século. Sem bébés teremos uma geração de proveta; bébés por encomenda, das raças mais finas, plásticas e mulas; por inseminação artificial; assim como já o povo diz e diz bem, não há males que não vêm por bem.

Neste contexto de Fevereiro frio, de pingo no nariz, e desta sociedade modelo da impudência, sem-vergonhismo finalizo convicto de que se fosse eu Cristo, também iria querer expulsar os demónios e fazê-lo da forma mais humanamente cruel possível e os induziria às cobras e jacais, aos morcegos e porcos da Tanzania, aos tubarões, aos lobos e cães selvagens a todo o animal em vias de extinção; era isso mesmo que faria.

Só agora admito que finalmente compreendo esse Cristo dos exagêros das correntes no Templo e esse ter enviado uma manada de porcos desta para melhor; é que ele tinha sede e fome de justiça. Tendo sede e fome de justiça, isso até o levou à cruz. Pregado entre dois ladrões, tomou o lugar de um assassino (Barrabás) e aí mesmo nos afiançou que o seu reino não era deste mundo, mas um reino de paz e de amor; onde estaríamos no mesmo dia da nossa morte, se como com o bom ladrão ainda tivessemos nas veias qualquer pinga de verdadeira empatia, de compaixão, compreensão; de autêntica humanidade.

Silvério Gabriel de Melo

Sunday, December 31, 2006

Um Reino de Sorrisos

Se os olhos são as janelas da alma
Os sorrisos as suas varandas são
Sorri quem o próximo como a si mesmo ama
Sorri quem tem o Sol no coração.

O bom sorriso como a luz do Sol aquece
Nos protege e ilumina com o seu ardor
Quem assim sorri espalha o bem, oferece
Aos outros toda a amizade e seu amor.

Sorrisos há que fazem lembrar jardins
De malmequeres e de gerânios às janelas
Sorrisos há que nos guiam, serafins
Sorrisos que têm o fulgor das estrelas.

Qualquer sorriso é do sol um pedaço
Reflectido sobre as ondas do mar
É reflexo meigo, reflexo mágico
Milhares de sóis em mares de luz a flutuar.

Sorrisos ternos quão finos, quão distintos
Suaves como a luz da madrugada
Delicados, bonitos, abrem caminhos
Nos iluminam, deixam-nos a alma maravilhada.

Se só a criatura humana tem lágrimas para chorar
Se só a alma humana acredita num Porvir
Ó Mãe da Humanidade a quem eu aprendi a rezar
Com teu Cristo ao colo ensina-nos a sorrir.

SGDM

Os bebés são conhecidos por lindos sorrisos quando dormem, que o povoatribui à sedução da lua que se lhes aproxima em sonhos e as maravilham. Sãoreflexos que imitam sorrisos tão doces e emblemáticos que parecem advir deuma realidade etérea a que os bebés se ligam por afinidades de naturezaprópria. Lembro-me quando os meus filhos dormiam em seus berços e sorriam,pareciam em comunicação com alguma realidade fantástica que me emocionava sóem os observar.

Hoje em dia os meus filhos cresceram; um deles patrulha as avenidas deBagdah. O mundo todo parece ter vestido farda e falta-lhe aquele sorrisodevido à humanidade. Rodeados de fisionomias quer de ódio, rancor, medo,pavor, ou apenas falta de segurança ou de saúde, quem é que se pode dar aoluxo de sorrir?

Gostaria até de entreter um mundo à José Saramago, onde em vez de ficaremtodos cegos como no seu Tratado da Cegueira, ficariam antes todos a sorrircom aquela doçura que conhecemos nos infantes.

Seria uma realidade fantástica, um mundo inocente e verdadeiramente puro.Assim sorrindo, reflectiríamos aquele Sol distante e divino em que devíamosacreditar com toda o ser e alma. Esse sorriso, se possível, iriadesconsertar o mundo roubar-lhe o sobrolho franzido, tomar o lugar dossorrisos de lesmas sobre os lábios daqueles que tudo medem, e julgam tudosaber. Imaginem só, se o mundo pudesse assim sorrir!?Esse sorriso, qual Sol distante e supremo, impor-se-ia às trevas e à lamadas mil e uma "Kristal Nachts" e holocaustos da falta de humanidade.Sorrisos dos sorrisos entre nós existiria a perfeita liberdade e democracia.Apoiados na inocência e graça desses sorrisos, ali não pertenceriam aquelesque de princípio não se consentissem a esse sorriso, a essa realidade. É queesse Reino dos Sorrisos, como o Reino dos Céus, não se fecha, fecharia paraninguém. Isso é, nesse Reino dos Sorrisos não entraria só quem o nãodesejasse.
Quando os senhores padres, ministros, pastores e outros senhores dotriângulo do Religiosamente Correcto, filistinamente citam a Cristo ou aBíblia para negar a entrada no Reino dos Céus das "abominações", aberraçõeshumanas quer originais ou adquiridas por vícios ou convicções de vida, soueu que franzo o sobrolho.


Que tipo de Cristandade é essa que já julga o próximo? Eu julgava que sócabia a Cristo, que está sentado à direita do Pai, o julgar quem quer quefosse? Se o reino dos Céus é como esse Reino dos Sorrisos que acima mereferi, sorrir-se-ia com a mesma graça e humanidade até para a pessoa maisnojenta e desagradável, essa a norma das normas. Porquê fechar as portas doReino para quem seja, se até Cristo o prometeu ao ladrão crucificado à suadireita?

Se há a ignorância, a cultura da pornografia do erotismo, da concupiscência,da perversão, da pedofilia e indecência, tem que haver a fraqueza, o vício eo abuso. Isso é que se terá que corrigir e erradicar para que não hajam osfracos, os que molestam, os que se confudem, que seguem os maus caminhos.Negar entrada ao Reino dos Céus ou desprezar os que erram, os pedófilos,homosexuais, tarados, viciados, efeminados, pervertidos, é o mesmo quevoltar ao universo dos que acreditam que os judeus, os sarracenos, osnegros, os bastardos, os ricos, os pagãos nunca poderão entrar nos Reinodos Céus.

Se o pecado, essas características abomináveis existem é porque fazem parteda natureza humana. Acusar e barrar entrada aqueles cujas naturezas criadaspelo próprio Deus os fez quem são é uma falta de humanidade tão vil como opôr fim a vida aos leprosos, doentes mentais, incapacitados, aos enfermos emoribundos, é uma forma de nazismo subversivo à dignidade eterna do homem.A caridade de Deus abrange todos, até ao ser mais contemptível, esses que omundo rapidamente marginaliza e rodeia de estigma.

Quem cita, pois, a Bíblia para fazer vingar a sua razão, fá-lo muitasvezes assim como os paparazzi manejam uma câmara de filmar. Só apontam parao que lhes convém.
Não foi Cristo também, que disse logo a seguir à sua afirmação o ser maisfácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha a um rico entrar no Reinodos Céus, àqueles que perguntavam, "Então senhor, quem se salvará?" e Elerespondeu, "O que é impossível para o homem, é possível para Deus." (S.Lucas18)


Como o meter-se uma bola numa baliza, só deixar entrar quem for chutado como pé direito, ou que exclama cada dois minutos um ³Aleluia,² seria idiotice.Graças a Deus, o Reino dos Céus não é controlado pelos SS, como era oAuschwitz ou por nenhum chefe de equipa de desporto, nem de Igreja alguma.Lá, nesse Reino, estou certo. entrarão as Madalenas e os Madalenos, atéassassinos, até pedófilos. Quem somos nós humanos para julgar quem for?Como bom Pai, Deus abre os braços para todos igualmente. Para ele tudo épossível. Ele é que criou o homem e só ele o conhece na intimidade.Estou certo que esse Deus, ao contrário dos homens dos dias de hoje queinterpretam qualquer sorriso, amabilidade ou delicadeza como os jovens dosliceus e soldados na tropa como ³gay,² abrenúncio, aberração, não afastaninguém, nem aproxima ninguém por mera piedade e misericórdia. Fá-lo como asi mesmo; ama-os igual senão mais ainda, porque afastados do Caminho, (ouque ele já criou afastados do normal ou da norma) vivem contudo uma missãoigual a qualquer outra criatura e que também por eles e até por eles é queveio ao mundo.

Quem passa as rasteiras, impõe normas de pudor e de aceitação como se oReino dos Céus fosse um clube, ou uma associação futebolística são oshomens. Só não entra no Reino dos Céus aqueles que julgam que o têmgarantido porque não pecaram, não se permitiram ao erro; porque o quiseramcomprar ou vendê-lo como Judas. De anjos está o inferno cheio.Enfim, se voltarmos ao Reino dos Sorrisos, se fossemos capazes de sorrir daforma inocente, livre, cheia de graça das crianças, não enxergaríamos tantonojo, nem estranharíamos quem quer que fosse pela invulgaridade das suasnaturezas. Sorriríamos realmente para todos acusação, diversão, preconceito, sim, um sorriso inocente como são ossorrisos das almas puras, dos bebés.
Quem se digna fechar a porta aos Reino dos Céus contra este ou aquele dosseus irmãos, por mais podre de ricos, de eróticos, de maricas, já pecou,pois olha para o mundo e o seu próximo com os olhos prevaricadores dacultura que ensina a dar mais valor aos valores do erotismo, davirilidade ou potência ou preponderância da carne. Num mundo de sorrisos nãoimporta se já se foi carranca. O que importa é sorrir e nem todoscompreendem isso.


O espírito humano por sua conta, sem a verdadeira presença de Deus,dispõe-se à carranca da intolerância e do preconceito onde quer que a almaou corpo sejam fracos. Como um vírus do demónio, tornam-se leprosos eabomináveis aqueles que não compreendemos, que tenham valores diferentes dosnossos, que sejam vítimas do mundo e das circunstâncias que os trouxeram àluz. Por isso Cristo fez-nos querer amar não só ao próximo, mas também aoinimigo e esse inimigo precisamente aquele por quem realmente sentimos omaior repúdio, os celerados, os pedófilos, os gente da Alcaida, os talibãs,os efeminados, os homossexuais, as lésbicas, os intoxicados, os caídos porterra, a escumalha da terra. Tempo virá quem nem se ser velho se consentirásem o mesmo menosprezo e revolta que se dedicou a leproso, judeu ou a negro;ou hoje se dedica aos sem abrigo, aos "gays" aos morrendo de AIDS ou aosárabes....Numa base na Alemanha numa creche militar foi presenciada a seguinte cena;uma funcionária da creche, esposa de um militar de cargo alto passou por umbébé de raça africana, de feições que Deus lhe deu, julgando-se a sós, fezao jeito de mimo anglo-saxónico, louro e de olho azul, o seguinte comentárioem voz alta, "Tu pareces-te um macaco!" Quem observou a cena foi uma outrafuncionária de cargo mais baixo de raça africana. Ela não apresentou queixa.
Por isso enquanto houver no mundo gente, por mais bem conceituada que setenha que se atreva a comentários de "cima para baixo" nós todos comohumanidade pecamos. Pois humanos são todos os que até se parecem como osmacacos e entre eles os leprosos, os que morrem de AIDS, os ou as que vãopara a cama com outros homens ou outras mulheres."


Toda a pessoa humana na pessoa de Cristo único e verdadeiro pastor tem o seuvalor e o seu direito ao Reino dos Céus se a isso aprender a querer e a sedispor. Por isso, depois de ler um artigo sobre a incapacidade dos pioresdos pecadores, tais como pedófilos, celerados, efeminados, homossexuais, etc.de poderem entrar no Reino dos Céus, reajo e apresento queixa.

Não nos esqueçamos que Deus não obedece aos critérios dos homens,especialmente aos homens de uma cultura ou era obcecada pelo erotismo, osexo ou contra-sexo, que isso tudo não passa de palha que se deve dar decomer aos burros.

Numa espiga de trigo vale o grão e mais nada. Que haja um pouco de chuva e muito Sol é o que ele precisa. Deixemo-nos de ruminar na palha e dar a cada grão a luz, o sorriso devido para que cresça e se faça pão. Para overdadeiro cristão isso é que vale. Por isso o verdadeiro Cristão não se alarma quando a própria Igreja parece estar também cheia de palha. De palha foram consumidos muitos santos e santas, quando nas fogueiras os torturaram. Dê-se portanto a Deus o que é de Deus, o grão; aos burros o que é dos burros, a palha, é o que se deve fazer com todo o coração. Saibamos antes sorrir como as crianças, o menino sobre a palha deitado e não julgar e acusar mas simplesmente viver e deixar viver.

É que Deus deixou um mandamento novo, "Amai-vos uns aos outros." Aqueles que afastam e desviam o próximo e o despreza por esta ou aquela razão,qualquer que seja, é que já perdeu o seu lugar nesse mesmo Reino, pois esse não se fecha para ninguém que o procure, mas sim para quem o quer interdir ao seu próximo.

Silvério Gabriel de Melo
Terceira, Açores



Cagarros (Cory's Shearwater Birds)

This is the time of the year when "Cagarros," (Cory Shearwater Birds)marine Azorean/Atlantic birds of the Albatross family come inland to brood.They spend most of their time out in the open sea, fishing at night all yearlong. They live up to forty years of age. Every year from February toNovember they return to the islands where they were born to nest in the manycliffs and crags that first saw them or even in holes they make on theground. In May the female Shearwater lays her only egg. Both she and themale sit alternately on it for about fifty days. When the fledgling is bornit is nurtured by both parents during the period of three months until it istime to return to the ocean and there stay until is time for brooding again.Nocturnal birds, they have been living around this area for about fiftymillion years, almost as long as the Atlantic Ocean itself. If you are outnight and you hear a crying above you in the dark, it¹s them in theirflight. They are blinded and thrown off course by the presence of light, sothat if you make a bonfire by the beach, before you know it, they will beflying above you one after another making a noise as if someone saying, "Icannot, cannot, cannot!" Azoreans say that their sounds remind one of thePortuguese word for water, "Água" repeated as if by someone desperate for water.

"Cagarros" is also what Azoreans teasingly call the people of Santa Maria,the first island of the Azores to be discovered. The reason is the singsongintonation of the way they speak. It sounds like the sound those birds makein the middle of the night, so they were named accordingly.This time of the year, when the "Cagarros," become more noticeable at night,when they come and go on their food getting trips to and from the ocean, isalso invade the harvest time in the Azores.

Indeed, the Azoreans were self-sufficient, they grew everything they needed.Today, one sees mostly cattle and pasture, but at one time, all of theAzores islands were rich in grains as well as a variety of other crops thatmade them self sufficient.

It was this wealth that made the Azores a granary of the Age of Discoveryand Expansion. As the Portuguese set off to discover the new world, theywould invariably stop here to replenish with wheat and fresh water.The area where the Lajes airfield and airport are located today, forexample, was called "Ramo Grande," and that area happened to be one of themost fertile cereal regions of the island. The wheat grown here wastransported to Angra and kept in huge underground silos found where now isthe "Alto das Covas," at the top of the Main street in Angra. The reasonthat the wheat was stored in these underground silos or "Covas," literally pits or holes, was to protect it from pirates who often attacked the island in search of food.

This time of the year, was also grape harvest time. Today you hear ofBiscoitos and Porto Martins as areas where grapes are grown, but at one time everyone grew what they needed, so that most everyone kept a patch of landby the seashore, the "Fajãs", or land on steep slopes by the seashore,reserved for the family¹s vineyard.

At this time of the year, they would throng to the ocean side, where manyeven kept small cottages and wine cellars provided with wine presses, winecaskets and other wine making utensils. There they would spend a few daysuntil the harvest (vindima) was done; the grapes had been sorted and crushedto make wine.

This was the time of the year, then, that the islanders bonded with theocean, prepared their wine and celebrated. Bonfire get-togethers were very common. The more people came down to celebrate, the more would stay aroundto help with the harvest.

People who owned a wine press or a wine cellar would allow others to usethem for their own pressing of the grapes and preparation of wine. Winepressing took on many forms. Those settlers, who came from NorthernPortugal where it was common to press the grapes by stepping on them,continued that tradition to this day. Others, probably, the more moneyed,had wine presses.

The most famous of the Azorean wines are definitely the Pico Island wines.As with the Madeira wine, it found its way outside the archipelago to honorthe tables of the Russian Czars themselves. More widespread were red tablewines or home made wines, or "Vinho de Cheiro" .

Today, when we are surprised by how much people of Terceira celebrate, wetend to forget that all these celebrations stem from the very humble ruralor agricultural traditions of this island. Grounded on a farming, rural,unindustrialized existence, every celebration is a manifestation ofharvest time, a time to bind, to come together, to share the bounty of theland, as any normal country folk do.

Silvério Gabriel de Melo
Juncal, Terceira

Friday, October 27, 2006

Um Adeus para uma Vida

Um adeus para uma vida

Alguém considerou os nossos filhos com sendo extractos do nosso coração
colocados no mundo. Quem tem filhos, pois, vive as suas vidas como se suas
fossem. Tudo que tem a ver com os nossos filhos tem a ver connosco.
Agora que todo o mundo volta à escola, voltam os nossos filhos à rotina do
dia a dia e deixam-se as celebrações do Verão para trás. Há um amigo do meu
filho que já não voltará à escola. Uns dois anos mais velho que o meu filho
ele era um teenager, na flor da vida; alto, magro, bem comportado e sério.
Era por todos estimado e benquisto. Era o melhor amigo do meu filho, o
Hildeberto.
Com o Hildeberto, o nosso filho passou a incorporar um grupo de jovens
portugueses e americanos em que se podia confiar. Juntos, passavam as horas
de tédio que é o viver numa ilha. Por todo o lado que ia um, iam os outros.
Muitos vezes reuniam-se em nossa casa a brincar no computador ou a ouvir
música. Outras vezes era na casa deles. Com o Hildeberto à roda, sabíamos
que tudo estava bem. Ele emprestava ao grupo um pouco da sua maturidade e
prudência.
Desde que o meu filho mais velho partiu para a universidade, tornou-se até
quase como um irmão mais velho. Era ele a quem recorríamos para que o
vigiasse; tomasse conta dele. Como o meu filho não domina o português, o
Hildeberto, falando o inglês, oferecia-lhe o apoio que ele necessitava para
se integrar na cultura portuguesa. Era assim um jovem mentor na junção de
duas culturas e duas línguas; alguém que à sua maneira ligava esses dois
mundos.
Com o Hildeberto o meu filho visitou a escola portuguesa algumas vezes;
participou nas festas locais, tanto em Angra como na Praia, e integrou-se na
cultura local ao ponto de aqui na ilha se sentir em casa.
Por onde quer que o meu filho ia, ia o Hildeberto, assim como os outros
amiguinhos. Por isso era raro o dia que me não avistava com o Hildeberto.
Muitas vezes levava-o até à sua casa. Todas as vezes que viajávamos, à nossa
saída ou espera, lá estava ele. Até já havíamos comentado que aqui, ao
contrário de todos os lugares onde já havíamos estado, o meu filho teria
amigos que não partiriam de um ano para o outro, como é costume no ambiente
militar.
Acontece que este Verão, depois do meu filho ter voltado à ilha, Hildeberto
foi vítima de um acidente de viação, desses acidentes sem razão de ser em
que vidas são dizimadas pelo abuso do álcool. Viajava com um condutor e
seus dois familiares quando se dirigiam para a festa do Porto Judeu. O
Hildeberto fora convidado para lhes fazer companhia, pois esses familiares
estavam cá de visita e não falavam português. O condutor, que estava
embriagado, passou a fazer disparates, a conduzir de uma forma irresponsável
e idiota. Não tardou que o carro derrapasse embatendo com toda a força com
a parte de trás do mesmo contra um poste. O acidente foi de tal forma fatal
que o Hildeberto, que ia sentado na traseira do carro, morreu
instantaneamente. Deixou a família, conhecidos e amigos em estado de
choque.
Quando nos impressionamos com a situação do Iraque, este acidente faz-nos
compreender que o espírito imprudente e selvagem, a forma inconsequente e
irresponsável dos condutores nesta ilha, neste país, são sim uma "guerra
civil" sobre rodas. Combinado com as condições às vezes pouco em dia das
estradas, permite-se a falta de civismo que nos qualifica como um país dos
mais selvajens em termos de estrada. É realmente um "holocausto" a lume
brando, um primitivismo que não parece ter correcção. Quantos milhares de
pessoas terão que perecer para que algo seja feito para mudar tal
mentalidade?
Há dois anos, por exemplo, quando ia a caminho das festas de Angra, um
carro ao ultrapassar-me simplesmente embateu contra o meu carro e continuou
no seu caminho. Desde então apercebi-me que os acidentes de "bater e fugir"
são dos mais comuns nesta ilha. Enquanto para nós tais acidentes são uma
boa demonstração de falta de civismo, mesmo de criminalidade, para esses
condutores é uma façanha que os prova como dextros, capazes ou ladinos.
Gente da rua, esforçando-se para dar provas da sua habilidade demonstram,
em termos do resto da Europa, simples e pura brutalidade. Aladinos
embriagados param de ter consciência, remorso ou respeito por quem quer que
seja. Suicidas-homicidas, pouco valor dão às suas vidas ou à dos outros.
No acidente que vitimou o Hildeberto, foi isso mesmo que se tratou. O
condutor continua à solta, impávido e indiferente à sorte do jovem cuja vida
encurtou. Quanto à justiça poderemos sem sombra de dúvida afirmar que
estamos num país onde a lei não só é torta e lenta, mas cega e alheia a tudo
isto. Só serve para os ingleses verem. Vivemos na periferia da lei e da
ordem, num Far West patético de falta de sensibilidade, de responsabilidade
e de consciência cívica.
Se uns envergam bombas e se fazem explodir para reinvindicar a sua vontade
descontrolada em actos terroristas, aqui anda-se às grandes velocidades
para perigo próprio e de todos e tudo para impressionar ou se dar largas a
uma vontade não controlada, espavantosa, indisciplinada.
Somos um país onde a maioria das pessoas passou a ter carro e a conduzir
bastante recentemente em relação ao resto da Europa e Estados Unidos. Por
isso, por falta de maturidade, de consciência social, conduz-se como se
teenagers, para se impressionar, marcar a rebeldia e bravosidade que correm
nas veias.
Desatentos aos outros, absortos em nós mesmos, não ligamos às leis, a regra
qualquer senão as nossas próprias leis, o que nos dá na gana e por isso
temos o país que temos, o governo que temos, o futuro que não teremos que,
decerto, o Hildeberto não terá.
Revolta, sim, saber que a vida de um jovem foi de uma forma brutal e
inconsequente dizimada por essa falta de disciplina, de rigor e de
inteligência cívica. Com a partida do Hildeberto, a ilha tornou-se mais
pobre e mais deserta e os seus encantos turvados pelo ambiente de
brutalidade e selvajaria que se vive nas estradas.
Impressiona de má maneira o grau de apatia, de conformismo e indiferença
desta sociedade que, ao contrário das outras democracias, não sabe
protestar, não se indigna e exige a correcção de tais males; isso é, se
coloca na defesa das vítimas e lhes dá voz. Para tal teremos ainda uns bons
séculos, suponho, antes que nos tornemos mais humanos.
A realidade é que em Portugal o progresso e o desenvolvimento vem de fora
para dentro. Alguém nosso conhecido até explica isso com a comparação da
nossa sociedade a um ³burro ou uma mula com um computador às costas.²
Importamos do bom e do melhor, estamos sim em dia em termos de serviços de
informática e em novas tecnologias, só nos falta mais humanidade.
Entretanto, jovens como o Hildeberto pagarão por essa falta de discrição;
pela barbaridade das estradas e o abuso do álcool e da droga; esta sociedade
viciada na pândega e no folguedo, alheia aos dramas que ocasiona por sua
falta de moderação e de consciência cívica.
Do Hildeberto ficou-nos uma grande saudade e pena de que lhe tivessem
roubado o direito à vida. Que Deus o tenha em paz na sua Luz e Cuidado é o
que meu filho e nós lhe desejamos do fundo dos nossos corações.

Silvério Gabriel de Melo
Terceira, Açores

Pensando em Portugal

Este Verão pensando em Portugal

Todo o Inverno não choveu a jeito em Portugal. No Verão as florestas ardem.
O país é vítima duma conjunção infeliz que tem muito a ver como a mudança
do clima, assim como o desleixo florestal e o espírito de inconsequência ou
falta de civismo por parte de algumas pessoas do povo.
Está claro que como os incêndios fazem notícia, também esta é a altura em
que os meios de comunicação à sua moda para tornar as notícias ainda mais
sensacionais, tentam apontar culpas, para ter um impacto ainda maior. De
tragédia passa tudo a espectáculo.
Enquanto isso, Portugal todo cada vez mais se afunda economicamente;
enquanto isso, nos nossos Açores, assim como por todo o país celebra-se à
grande. É Verão. O que é que se havia de esperar? Quanto à crise, que
crise?
No universo político, já se fala que Mário Soares, por falta de melhor
escolha, dever-se-ia candidatar à presidência; que não há ninguém que possa
preencher esse cargo. Faltando-nos capacidades intelectuais, como um disco
partido, damos a volta e voltamos ao mesmo. Construímos ícones que
entronizamos; à roda de quem se constrói um culto e se o perpetua. "Viva o
Mário Soares! Viva a Portugal!" Enfim, um cenário igual ao que deixámos, já
lá vão quase quarenta anos.
O povo em si continua a ser o mais pobre em termos de democracia ou
expressão democrática, especialmente aqui nos Açores onde o melhor é deixar
as coisas irem onde vão, não ver, não ouvir e não falar. Porque afinal a
festa é que é o mais importante de tudo. O ser-se bom cidadão é visto como o
brincar-se aos partidos; Vota-se por desporto, por associação; para ver se
os subsídios terão continuação ou se esta maré de receber de mão beijada
continua.
Afinal, foram bem vinte anos de um sistema distributivo, que, como noutras
épocas, como com as caixas da América, se distribuía por todos o que se lhes
mandavam. Para estes uma camisa, para aqueles umas calcinhas ou vestidos;
cortinas e candy ou o bom cheiro da dólar. Era assim. Depois veio a Europa,
que se tornou ainda melhor do que a América em termos de regalias,
subsídios, vantagens; um luxo e um conforto como nunca se tinha visto por
estes Açores. Continuou-se a distribuir riquezas e o povo a recebê-las.
Com trinta anos de democracia, esta é realmente a nossa oportunidade como
povo de mostrarmos quem somos. Durante séculos vivemos a conjectura de reis
que ligados à aliança com a Inglaterra, vivendo à sua sombra, conseguiram
manter um império e um país dos "mais nobres" (e pobres); seguro nas nossas
convicções de sermos dos primeiros e melhores. Assim sendo, afastámo-nos do
resto da Europa. Como alguém sentado debaixo de um sobreiro alentejano
vivendo à custa do Sol e do ar, neste jardim junto ao mar, contentamo-nos
com um país que vivia à custa dos seus rendimentos e esses muitas vezes
trazidos do Brazil, Angola e Guiné ou da América e Canadá.
Presentemente, a nossa conjectura é tal que, não há dúvida, de novo nos
afastamos do resto da Europa. Provamos que temos individualidade, que
fazemos as coisas à nossa maneira, que continuaremos a ser os portugueses
que éramos; que somos difíceis de mudar os nossos hábitos e costumes. Isso
até já nos distinguiu da Espanha no tempos da antiga Roma: a Espanha, que ao
contrário de nós tem um sistema menos distributivo, mais produtor, mais dona
do seu progresso.
Nós, pelo contrário, somos um país onde a qualidade e o bom gosto não
faltam. Falta-nos um pouco de gana para irmos mais além em terra firme.
Há que haver uma consciência lusa, uma vontade que se eleve acima das
pequenas vontades; do consumo e do luxo que não levam a nenhum lado. Já
basta de andar à roda à espera de D. Sebastião. Há que avançar.
Para tal, precisamos de corrigir a conjectura de séculos, do viver à sombra
deste ou daquele reinado, como daquela Inglaterra, que nos patronizava na
mediocridade para benefício próprio.
O novo cidadão português tem que ser mais consciencioso, mais trabalhador,
mais disposto a lutar, a unir-se de uma forma concertada e real para se
permitir ao verdadeiro milagre económico - ora assim, como os nossos
emigrantes, que lá fora provam com a sua capacidade de iniciativa, de
sacrifício e esforço o seu sucesso e integridade.
Se eles o conseguiram pelo seu esforço e sacrifício, então porque não nós?
Urge para tal um país mais justo, mais solidário, mais aberto; um governo
que facilite a progresso; não o trave e o impeça de ir avante. Para o fazer,
há que se corrigir as mazelas do sistema produtor e mantedor da pobreza que
herdamos, que perpetuamos com a nossa maneira de ser. Há que desenvolver na
nossa terra as mesmas condições que fazem dos nossos emigrantes lá fora
conseguirem o sucesso e prosperidade. Há que haver esperança que isso será
possível algum dia.

Silvério Gabriel de Melo
Terceira, Açores

Portugal and the Portuguese

Portugal and the Portuguese

Portugal and the Portuguese
Discovered the world and voyaged near and far
Sailed the seven seas with much courage and ease
Conquered many lands; were at sea without par

In their veins ran the blood from Phoenicia and Greece
- From Ulysses city, from Lisbon, they sailed
They ventured beyond Madeira and Canaries
In the middle of the Atlantic, the Azores they reached

- From there they ventured to the very brim of the earth
To find more land - worlds beyond their world
And always they came back to tell the others their worth
And always sailed on for Christ's world and his word

Portugal and the Portuguese
They went west and east, they went south and north
To Africa, India, Brazil, the Far East
Before anybody else they were first to go forth

Camões, their bard, of their valor did sing
Don Sebastian so enthralled became their ill-fated king

Endowed with the power to dare the impossible
They dared to discover the very roundness of Earth
After their deeds the Ocean would become a Portuguese canticle
Forever sung by its poets, fado singers, troubadours

Of the lands of Europe on its most westerly edge
This land would forever be tied with the History of the Seas
Maritime Crusaders, they scouted and lived their pledge
Based on their faith, Prince Henry's decrees

And they were the first with authority to affirm
That the world was round; that the world was a globe
It took that leap of faith and their heroism
To make all the difference, to go beyond their shore

Camões, their bard, of their valor did sing
Don Sebastian so enthralled became their ill-fated king.

Silvério Gabriel de Melo
Terceira, Açores

Saturday, March 18, 2006










Emigrante

Quando falam de Portugal
Falam sim também de mim
Um Português que afinal
Longe da terra é assim
Sente uma vontade sem igual
Uma saudade sem fim
Da sua terra Natal
Como uma flor seu jardim
Como uma flor seu jardim
Onde quer que esteja, configura
Eu o país de onde vim
Trago comigo com amargura
Amargura de não poder
Ter ficado e dado fruto
---Ser emigrante é morrer
Ser emigrante é um luto! "
(Silverio Gabriel de Melo)


SM